CARNALHO — O QUE ACONTECEU COM O ANÚNCIO

O anúncio está aparecendo pra mais gente do que nunca — e o salão está recebendo menos gente do que nunca

As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e este documento explica por quê. Diogo, Emmanuel: isso aqui responde direto a pergunta de vocês — pra que o anúncio está indo, pra que público, e o que mudou. Os números vêm só de uma fonte, a própria conta de anúncio do Instagram e do Facebook do Carnalho, olhando maio, junho e julho inteiros, mais o detalhe dos últimos 30 dias.

Uma coisa importante antes de começar: esse anúncio não enxerga quem entra no salão. Ele só enxerga quem clicou, quem mandou mensagem ou quem comprou pelo site de entrega. Então este documento explica o que o anúncio fez — não explica sozinho por que o salão esvaziou. No fim tem um bloco só sobre isso.

Linha do tempo — o que mudou, mês a mês

O ponto mais estranho: mais gente vendo o anúncio, menos gente reagindo

Pensa no anúncio como um folheto que alguém entrega na rua pertinho da loja. Até 14 de julho, a instrução era: "entrega esse folheto só pra quem já demonstrou interesse em folheto de restaurante antes, mesmo que isso limite quantas pessoas você consiga alcançar". A partir de 15 de julho, a instrução virou: "entrega esse folheto pro maior número de gente possível que passar num raio de 4 km da loja, não importa se a pessoa vai olhar ou jogar fora na hora".

O resultado é exatamente o que se esperaria de uma instrução dessas: o número de gente que recebeu o folheto (o anúncio apareceu pra ela) disparou, porque agora ninguém é descartado. E o número de gente que realmente parou pra olhar despencou, porque a maior parte de quem recebe um folheto aleatório na rua não estava procurando aquilo.

Gente que passou na frente da loja sobe, gente que chamou o garçom pela mensagem cai — maio a julho, índice com maio igual a 100 nível de maio 100 73 142 58 28 Maio Junho Julho Gente que passou na frente da loja

Linha azul, gente que passou na frente da loja: 236.778 em maio, 174.179 em junho, 336.555 em julho. Linha vermelha, gente que chamou o garçom pela mensagem: 95 em maio, 55 em junho, 27 em julho.

Uma coisa precisa ficar clara: o raio de 4 km ao redor do endereço da loja, na Rua Havaí, não é um público ruim — geograficamente, é até mais parecido com quem mora perto do que a lista antiga de bairros, que incluía Aflitos e Casa Forte, longe da loja atual. O problema não é pra quem o anúncio vai. É que ele parou de procurar quem tem chance de reagir, e passou a procurar só quem é barato de alcançar.

O retrato completo, mês a mês

O que foi medido Maio Junho Julho
Quanto foi gasto no mês R$ 2.988,67 R$ 1.366,03 R$ 1.120,45
Quanto foi gasto por dia R$ 96,41 R$ 45,53 R$ 36,14
Quantas pessoas passaram na frente da loja (o anúncio apareceu pra elas) 236.778 174.179 336.555
Quanto custava mostrar o anúncio pra cada 1.000 pessoas R$ 5,03 R$ 5,17 R$ 1,93
De cada 1.000 pessoas que passaram na frente, quantas pararam pra olhar a vitrine 16 16 4
Quantas pessoas pararam pra olhar a vitrine, no total 2.653 1.209 781
Quantas entraram e olharam o cardápio (visitaram a página) 1.679 817 242
Quantas chamaram o garçom pela mensagem (WhatsApp ou Direct) 95 55 27
Quantas passaram no caixa do site de entrega 57 30 2
Quanto isso rendeu em vendas pelo site R$ 4.163,07 R$ 2.353,27 R$ 246,99

Lembrando: a última linha da tabela é só o site de entrega. O anúncio não tem como enxergar quem entrou no salão e sentou numa mesa.

Pra onde foi o dinheiro dos últimos 30 dias

Nos últimos 30 dias (06/07 a 04/08) foram gastos R$ 1.066,42 em 6 campanhas diferentes. Olhando uma por uma:

Campanha O que ela tentava fazer Quanto custou De cada 1.000 pessoas, quantas pararam pra olhar Quantas chamaram o garçom ou fizeram pedido Custo por pessoa que reagiu
Campanha antiga do salão — pausada em 15/07 Buscar gente com chance real de parar e reagir R$ 283,84 7 8 chamaram no direct R$ 35,48
Venda de mesas — Festival de 18/07 Vender reserva de mesa pro evento R$ 62,98 41 8 chamaram no direct R$ 7,87
Institucional — ativa de 15/07 a 24/07 Mostrar o anúncio pro maior número de gente possível, num raio de 4 km R$ 337,44 menos de 2 2 pedidos pelo site (R$ 246,99) R$ 168,72
Institucional — ativa desde 24/07 Mostrar o anúncio pro maior número de gente possível, num raio de 4 km R$ 326,24 menos de 2 0 pedido
Terça do Hambúrguer — ativa (1 dia) Mostrar o anúncio pro maior número de gente possível, num raio de 4 km R$ 35,10 menos de 2 0 chamou, 0 pedido
Venda de mesas — Dia dos Pais (1 dia) Vender reserva de mesa pro dia 09/08 R$ 20,82 24 1 chamou no direct, 1 pedido (R$ 130,90) R$ 20,82
Fatia do dinheiro que foi pras 3 campanhas de "mostrar pra todo mundo" 2 em cada 3 reais

R$ 698,78 dos R$ 1.066,42 gastos nos últimos 30 dias foram pra essas 3 campanhas de alcance geral.

Gente que chamou o garçom por essas 3 campanhas Nenhuma

Zero mensagens de WhatsApp ou Direct vieram dessas 3 campanhas nos últimos 30 dias.

De cada 1.000 vezes que o anúncio apareceu nessas 3 campanhas Menos de 2

Pararam pra olhar. Das mais de 518 mil vezes que o anúncio apareceu, menos de 650 pessoas pararam — o resto, cerca de R$ 697,80, foi gasto mostrando o anúncio pra gente que nem olhou.

Do outro lado: as 3 campanhas que buscavam gente com chance real de reagir custaram só R$ 367,62 (o outro 1 em cada 3 reais) e foram responsáveis por todas as 17 mensagens registradas nos últimos 30 dias, além do único caso em que voltou mais dinheiro do que entrou — a de Dia dos Pais, R$ 130,90 de pedido sobre R$ 20,82 gastos.

O que a propaganda explica, e o que ela não explica

O que dá pra dizer com segurança, com o que o anúncio mostra

  • A queda nas mensagens desde 15/07 é real e é grande: antes da troca, de cada 1.000 pessoas que viam o anúncio, quase 7 paravam pra olhar. Depois da troca, é menos de 2. Isso piorou depois da mudança de 15/07, sem meio-termo.
  • A queda nos pedidos pelo site também é explicada: não existe mais nenhuma campanha empurrando pedido pro site de entrega desde 10 de julho. Essa queda ia acontecer de qualquer jeito, mesmo que a outra campanha nunca tivesse mudado.
  • Uma parte da queda já vinha antes de qualquer mudança: em junho, com a campanha antiga rodando do jeito de sempre, as mensagens já tinham caído 42% e os pedidos 47% na comparação com maio. O problema não nasceu no dia 15 de julho — ele já estava em curso, só que ganhou força depois.

O que o anúncio não tem como responder

  • Quantas pessoas entraram de fato no salão e sentaram numa mesa — isso ele não vê. Só vê quem clicou, quem mandou mensagem, ou quem comprou pelo site.
  • Se a terça-feira fraca, o início de mês sem salário ter caído, a volta às aulas ou a mudança pra Rua Havaí pesaram mais ou menos que o anúncio — tudo isso aconteceu no mesmo período, e não tem como separar um efeito do outro só com esses números.
  • Se o Festival do Rock, três dias depois da troca de campanha, teve algum efeito nas sextas e sábados seguintes — os dois eventos ficaram tão perto um do outro que não dá pra apontar culpado sozinho.

Por que a sensação de vocês e o número do anúncio podem estar certos ao mesmo tempo

Hoje, o Instagram e o Facebook só enxergam três coisas: quem clicou no anúncio, quem mandou mensagem, e quem comprou pelo site de entrega. Se uma pessoa vê o anúncio, guarda o nome do Carnalho na cabeça e aparece no salão dias depois sem mandar mensagem nenhuma, essa visita não aparece em lugar nenhum dessa análise. E se uma campanha manda 100 mensagens de gente que no fim nunca aparece, isso conta como "resultado bom" mesmo que o salão continue vazio.

É por isso que dá pra ter, ao mesmo tempo, um número de anúncio que parece razoável e um salão vazio numa terça de noite — as duas coisas medem coisas diferentes, e hoje não existe uma ponte entre elas.

O que fazer a partir daqui — os caminhos possíveis pra corrigir isso e quanto cada um custa — está no documento seguinte.